Monthly Archives: junho 2013

Praça Roosevelt e os skatistas

Praça Roosevelt e os skatistas

praça roosevelt

A Praça Roosevelt é um ponto conhecido de São Paulo que fica localizada na região central da cidade. A fama do local deu-se muito pelas inúmeras transformações e funções que admitiu no decorrer do tempo. Sendo inicialmente uma parte do terreno de Dona Veridiana Prado, a praça transitou entre reduto de artistas e alta sociedade para o que foi conhecido como esconderijo de marginais e drogados.

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Antiga Praça Roosevelt

Há pouco tempo a praça foi restaurada e entregue ao público novinha em folha, mas não se livrou das polêmicas de sua estrutura. O problema deste local de São Paulo, que era para ter sido um marco turístico da cidade, podemos atribuir ao design, ou à falta dele.

Como sabemos, o bom design é sempre seguido de um bom planejamento, não só de estética, mas de estrutura e funcionalidade. Entretanto, a Praça Roosevelt, desde sua fundação na década de 1950 foi feita sem planejamento. Neste primeiro momento, inclusive, a praça foi construída sem o devido nivelamento o que gerou deslizamentos.

Mas voltando para a nova Praça Roosevelt, o grande problema, analisando sob o ponto de vista do design, foi a funcionalidade do local. Para quem foi construído este novo espaço? Como seria aproveitado o local? Perguntas simples que qualquer projeto tem que considerar antes de ser executado.

A praça foi entregue renovada, com bancos, espaços abertos, grama e um lindo piso de concreto bem lisinho.

Opa! Concreto liso?!

Bom, foi aí que veio a grande polêmica. Em uma cidade que quase não há espaços livres para convivência, muito menos para esportes, é criada uma praça toda de concreto pronta para skates, patins e bicicletas. Foi exatamente como aconteceu. Logo o piso virou pista e os bancos viraram obstáculos.

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foto tirada do site almasurf

O problema é que não são só skatistas que querem usufruir da praça e banco de madeira e skate não combinam. Em pouco tempo de inauguração a praça já mostra sinais de deterioração.

Mas aí pensamos: “Bom, é só designar um espaço para cada um: crianças, cachorros, skates, etc.”

Engana-se!

Para acrescentar mais um problema de design, a praça foi inaugurada sem as devidas placas de sinalização para essas áreas.

Enfim, se a Praça Roosevelt tivesse sido planejada considerando-se o público-alvo, seria constatado que na região tem muitos jovens sem muitos lugares para se divertir e o skate voltou à moda (ou nunca saiu). E não só skatistas, mas os moradores da região estavam precisando de um espaço de convivência amplo para levar a família, encontrar os amigos ou somente para relaxar.

Uma solução seria a construção de uma pista específica para os amantes do esporte e as áreas de uso comum serem cobertas com gramas e árvores, afinal, para uma cidade coberta por concreto como São Paulo, um pouco de verde é sempre melhor.

As soluções são várias, mas fica a lição, um projeto como esse tem que ser sempre pensado sob a ótica do design para trazer bons resultados.

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Os slogans dos Protestos

Os slogans dos Protestos

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imagem retirada do blog Jalopnik

Momento único no país, atitude pouco conhecida por muitos, é o povo brasileiro se organizar e sair pelas ruas para protestar por um ideal. Como toda campanha, para envolver milhares, é necessária uma chamada, um slogan de campanha que convença que aquele movimento vale a pena.

O que os protestos recentes no país mostraram é que as campanhas, novas ou não, de marcas conhecidas no Brasil, são uma boa forma de chamar a atenção.

O primeiro exemplo e que melhor se encaixou nas propagandas dos atos nas cidades brasileiras foi a campanha da Fiat para a Copa das Confederações. O seu jingle que tocava incessantemente nas propagandas chamando o povo para rua para torcer, logo virou hashtag nas redes sociais chamando para a rua não para torcer, mas para lutar. O #vemprarua logo virou TT’s no Twitter para transformar a rua na “maior arquibancada do Brasil”, outra alusão ao jingle.

O sucesso do slogan da Fiat utilizado nos protestos foi tão grande, que correm boatos que a empresa vai retirar o comercial de circulação no dia 22 de junho para não ser associada aos atos. Mas a empresa nega e explica que o final da campanha já estava programado.

Outra campanha que virou inspiração para os manifestantes foi a primeira campanha regional da Johnnie Walker “Keep Walking Brazil” de 2011 para o país.

O slogan “O gigante acordou”, que no comercial era retratado pelo Pão de Açúcar se erguendo em forma de homem, para os protestos virou uma referência ao povo brasileiro que despertou de longos anos de apatia e falta de atitude diante das questões do país.

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Esses são os exemplos mais fortes e mais compartilhados, mas até a própria chamada para a Copa das Confederações foi apelidada de Copa das Manifestações. As marcas estão sujeitas a todas essas interpretações a partir do momento que atingem um público em âmbito nacional. E, além disso, quando há campanhas vazias de um conceito dentro da realidade de seu público, entregando uma imagem que não condiz com o pensamento comum do país, elas são alvos mais fáceis para modificar seu conceito para representar um ideal.

De uma forma ou de outra, esses slogans são capazes de adquirir um significado bem maior e trazem uma nova imagem para aquela marca, ainda que isso não tenha sido programado.

 

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Comercial Veja: Neura x Neuro

Comercial Veja: Neura x Neuro

Esta semana um comercial do produto de limpeza Veja começou a chamar atenção pela mudança de direcionamento da comunicação de um produto.

A campanha que destaca a personagem “neura”, um ente presente em todas as mulheres neuróticas por limpeza que é combatido pela facilidade dos produtos Veja, já é bem conhecida. Na verdade acho o conceito desta campanha bem construído abordando uma persona comum a todas as famílias. Quem não lembra da sua mãe, tia ou avó neurótica com uma mancha no tapete, ou em uma roupa, ou com a gordura do fogão?

neura veja

De fato, essa ideia existe e perdura faz tempo, mas a nova campanha da Veja detectou uma nova realidade neste universo de trabalhos domésticos, não é mais só a mulher que faz ou é obrigada a fazer este trabalho.

A campanha que está circulando no YouTube apresenta os Caçadores da Neura, que detectam e eliminam as neuras. Até aí é a mesma ideia de conceito, mas o que torna a propaganda interessante é a primeira neura que eles combatem, o “Macho Alfa”.

Ao invés da mulher neurótica, aparece o homem que se diz um macho alfa que lava toda a louça engordurada pois segundo ele “mulher minha não fica estragando unha em faxininha, não!”. Ao final, os Caçadores de Neura aparecem para tirar a neura deste macho alfa, pois, afinal, com Veja não precisa de esforço.

O interessante do comercial é esta mudança na comunicação, antes voltado somente para mulheres, agora também voltado para as mulheres, mas deixando a mensagem de que não são só elas que tem que fazer o trabalho sujo.

O que sempre me pergunto sobre a expressão de um comercial é se ele simplesmente detecta um comportamento da sociedade em que é divulgado ou se, de alguma forma, ele é capaz de direcionar este comportamento.

As propagandas de produtos de limpeza e eletrodoméstico são o melhor exemplo disso, pois sempre mostram a mulher como a responsável por tudo que diz respeito à casa, tendo o homem um papel coadjuvante. Entretanto, por mais retrógrada que a sociedade brasileira possa ainda parecer em alguns momentos, as realidades são bem outras do que no tempo de nossas mães ou avós. As mulheres estão mais presentes no mercado de trabalho e não se sentem mais na obrigação de fazerem tudo sozinhas.

E os homens por sua vez, também estão se responsabilizando mais nas tarefas de casa, ou em suas famílias ou morando sozinhos e adquirindo essas obrigações.

Acredito que uma marca possa influenciar positivamente seus consumidores e campanhas publicitárias são uma forma bem abrangente de se fazer isso. Os comerciais refletem o comportamento da sociedade para que o consumidor se identifique com aquela marca e aquele produto, mas nada impede que conceitos retrógrados de uma cultura sejam aos poucos diluídos para um dia deixarem de existir.

 

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